
Hiena
Fome nos olhos
No espelho
Do mundo.
Braço preso ao muro...
Devora sua carne
Mutila amoral.
O abismo da escolha
Grita o nome da dor.
Riso insano e sangue
Nas ancas dos porcos.
Come os restos dos restos
E é resto dos restos...
E transforma migalha e carniça
Em fogo, chumbo e vingança.
Em ódio o fio de esperança
De viver fora da jaula.
Cativa dentro da alma
O fardo da ironia
De ter nas mãos o futuro
E a morte como guia.
Sai à caça
Há seis garras
Na ponta do dedo
Deixa a toca
Não há nada
Toma tudo
Morre cedo
E esquecido
(Nova música do Rabujos)
x Por xXxCareta LimítrofexXx | 9:03 PM |
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Torpe
O vazio
Da vida
Jaz
No horizonte
Do ôco
Da fome
x Por xXxCareta LimítrofexXx | 10:27 PM |
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Alice em crise maníaco-depressiva
Há medo nos olhos
Do espelho.
Há face de culpa.
Perfume
De morte na memória.
Sombra do destino...
Na estrada...
Temor na alegria...
Da vida.
x Por xXxCareta LimítrofexXx | 1:49 AM |
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Dos males
Antigo e mau
É tudo amargo
Como o fel que
Sobrou na carcaça.
Onde antes havia alma,
Havia amor e calma,
Agora é só dúvida,
Desesperança, arrependimento e
Raiva.
Há um desejo de voltar e
Curar o câncer.
Dormir no Éden
Antes da queda,
Distante da Serpente,
Da culpa, do pecado e
Da guerra e há
Impulsos de assinar em
Sangue com penas de chumbo
Incandescente
Confissões, alforrias e
Sentenças.
x Por xXxCareta LimítrofexXx | 1:38 AM |
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Às 9h
A vida dobrou
A esquina e
Se perdeu no fim
Da rua.
Corre, sangue...
O peso
Dos ternos,
Do verniz
Dos sapatos,
Eterno
Fatus
Do cotidiano,
São cães.
Ferozes, tenazes,
Famintos flagelos de sombra e
Ausência.
Sagazes capatazes!
Na arca, a aliança.
Carícias cada quatro,
Cinco semanas e o
Carimbo que
Honestas são as prostitutas.
x Por xXxCareta LimítrofexXx | 1:09 AM |
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Beijou com carne
Mastigou seu desejo
Se foi com sangue
x Por xXxCareta LimítrofexXx | 1:26 PM |
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O que há de certo
Está tudo errado.
A mão que pede ou
Manda, alguém que ganha,
Perde, quem mede
Valor por valor e cede
A escolha e se torna escravo.
Tudo errado. Tudo.
O vermelho que acorda com o verde.
O verbo que grita e pára.
As paredes seguras da casa
Sem janelas para a rua.
A mulher de celulose, nua,
O vestido, o pudor e a trança,
A redoma em volta da criança,
O berço, o sêmem e o sangue.
O relativismo cego e
O pragmatismo seco.
Cada tecla na ponta do dedo que
Não vira livro.
Cada palavra lida incapaz de
Mudar seu sentido.
O bem, o mal,
O certo e o errado da vida...
Toda errada.
x Por xXxCareta LimítrofexXx | 1:18 AM |
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Extropia
Socou o cabo fundo na nuca e apertou o botão vermelho. Estava fora e dentro do universo. "Adeus, mundo cruel", disse, e suspirou de alegria por ser zeros e uns.
x Por xXxCareta LimítrofexXx | 2:54 AM |
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Ao caixão empírico
Mecânica quântica,
Teoria do Caos...
Todo amor e todo erro
Na asa da borboleta
Subatômica, culpada
Por todas as mazelas e
Todas as vontades de Deus.
O acaso é o álibi humano.
Irresponsável, irresistível,
É só excesso de explicação.
Enchente de teorias,
É tanto curiosidade e ignorância:
É medo.
x Por xXxCareta LimítrofexXx | 6:12 PM |
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A lágrima e a esmola
Como remediar a mentira?
Como explicar, amor, que
Não era mentir o que eu queria,
Se armei peçonha com palavras
E envenenei de ira e mágoa
Os tijolos do castelo que
Construímos, eu e você?
Como provar que foi só erro,
Se o "só" nos deixou trancados,
No escuro e no silêncio, que
Foi, pois, o medo que
Fez trair a verdade?
Como provar haver pecado,
Mesmo no amor verdadeiro?
Se até te ensinaram que
O amor do seu Deus
Matou seu Filho e
Com todos argumentos póstumos,
Ferido, ele morreu?
Só sentindo o peito.
O renascer verdadeiro,
O fim do erro.
Em verdade e eterno,
O coração bater.
Fazer sangrar dos dedos,
Palavras de esperança.
Dizer e provar a cada dia
Que a dança não pára.
Que, no fim, se me esperas,
Sabes que não há como apagar
Lembranças recentes, mas aquelas
Lanças malditas morrerão nas pedras
Do muro do nosso castelo.
x Por xXxCareta LimítrofexXx | 3:26 AM |
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